Vinte e Seis

Na verdade eu não escolhi muito o vestido. Peguei o primeiro vestido vermelho longo que me ofereceram.
Tive que me virar pra me arrumar com o que tinha na mala. Quando eu saí do banheiro, Luan estava todo enrolado com a gravata.
-O que foi? Até parece que você nunca usou uma gravata na vida.
-Minha mãe sempre amarra pra mim.
-Sua mãe não tá aqui agora. Me dá isso. -peguei a gravata dele e arrumei. Ele colocou o colete por cima.
-Pronto. Agora eu tô arrumado.
-Vamos logo.
-Só repassa o que a gente vai fazer. -Lucas pediu. Ele estava tão lindo que quase esqueci que estava brava com ele. Quase.
-A gente entra, e procura lá dentro. Vi no site que ainda tem algumas coisas do museu lá, e que elas vão ser apresentadas hoje. A gente tem que conseguir isso hoje.
-Tudo bem. -Luan falou- Tô pronto.
Coloquei um casaco de pele falsa que tinha comprado junto do vestido e saímos.
Nevava na cidade. Os meninos não pareciam incomodados com isso mas eu estava. O casaco mais enfeitava do que me protegia do frio intenso. Pegamos um táxi, mesmo o hotel sendo praticamente do outro lado da rua, não seria legal chegarmos lá andando, mesmo que a distância fosse pouca.
-Nomes, por favor.
-Katherin Smith, Lucas de Oliveira e Luan Santana.
Ele olhou a lista e logicamente não nos achou.
-Desculpe mas vocês não estão na Lista de Convidados.
-Com certeza nós estamos aí. Olhe de novo.  -Luan falou com ele em... Inglês?  Devia ter treinado com o Lucas.
O homem olhou novamente a lista, e apesar da minha tensão, nos deu passagem.
-Tudo bem. Me desculpem pelo incômodo.
Quando entramos, nos deparamos com um tapete vermelho.  Um garçom deu uma taça de champanhe para cada um de nós e nos indicou o caminho.
-Não gostei daquele cara. -Luan disse.
-Que cara? -perguntei.
-O da recepção. Ele é estranho.
Me preparei para beber um gole de champanhe quando o Lucas tomou a taça da minha mão e colocou em um canto do corredor por onde passávamos.
-O que foi agora?
-A gente não sabe se eles conhecem a importância dessas páginas.
-Essas? -perguntei.
-Olhei na Internet. O museu mantinha 15 dessas páginas. Eles achavam que fazia parte da história de como a cultura inglesa influenciou na vida dos moradores daqui na época.
Chegamos a um salão cheio, com pessoas vestidas a gala bebericando champanhe com uma música que chegava a dar sono.
-Vou dar uma volta. -Lucas disse- Volto em cinco minutos.
-Tudo bem. Acho que também vou.
-Com o Luan. Não saia sozinha.
-Eu não sou mais uma criança!
-Você não sabe o que está acontecendo!
Me meti no meio das pessoas e procurei um banheiro pra me esconder. Mas fui parada no meio do caminho.
-Bonito colar.
-Micaella?

EITA BAGACEIRA! :O MICAELLA ACHOU ELES, E AGORA, O QUE SERÁ QUE VAI ACONTECER? PRÓXIMO COM 3!

Vinte e Cinco

POV KATHERIN
Eu estava descendo alguns degraus fazia algum tempo. A escada era feita de madeira, bem iluminada e relativamente confortável. Eu não sabia porquê alguém acharia escadas confortáveis.
Quando acabei de descer, vi um homem amarrado pelas mãos e pés no que parecia ser uma cama.
"Vá em frente. " uma voz me dizia "ele é grande e forte, mas não vai demorar tanto."
Me aproximei do homem, que me olhou com pavor.
-O que você vai fazer comigo?
-Não o respondi e segui em frente.
Sentei em cima dele, que se debatia na cama, tentando se livrar das amarras. Segurei sua cabeça com força e a virei. Mordi no lugar certo e senti o líquido quente jorrar na minha garganta.
-Não desvie do seu objetivo.  -ele disse, com a voz... A voz da minha mãe! Eu nunca tinha ouvido ao vivo, mas sabia pelos vídeos de família. Me levantei e a vi morrer na minha frente. Minha roupa agora estava manchada de sangue.
Comecei a gritar, e logo estava no quarto de novo. Luan me segurava com força.
-Calma, foi só um sonho.
-Mãe! -chamei- Eu... eu vi Luan. -eu disse entre soluços.
-Calma, passou... -ele se deitou e me colocou em seu colo.- Tá tudo bem agora.
Parei de chorar aos poucos e abracei ele. Fazia frio, mesmo com o aquecedor ligado.
-A gente tem que pegar aquilo e ir embora logo. Não gosto dessa cidade.
-Tudo bem.
Adormeci novamente, me sentindo segura em seus braços, como se soubesse que nenhum pesadelo iria me atingir.
**
Quando acordei, Luan ainda estava dormindo, no mesmo lugar. Não era novidade que eu havia me afeiçoado a ele, mas eu não podia deixar transparecer tão fácil assim.

POV LUAN

Finalmente adormeci, e tive pesadelos. Parecia que eu tinha pegado todos os medos da Katherin pra mim.
Acordei depois dela, e ela insistiu pra que eu vestisse todas aquelas roupas, mesmo que eu não estivesse sentindo frio. Mas eu ficaria menos estranho, então vesti e saímos.  Encontramos o Lucas do lado de fora do hotel.
-Demorei? -ele perguntou.
-Um pouco. -eu disse. Katherin o ignorou, por algum motivo e fomos até o Café. Katherin pediu um chocolate quente com alguns croissants. Pedi o mesmo, mesmo que soubesse que aquilo não fosse me satisfazer.
-Então... -ela disse- Eu tenho um plano. Mas a gente vai precisar fazer umas comprinhas. A não ser que vocês tenham smokings na mala.

 POSTEI AMOOOORS *-* QUAL SERÁ O PLANO DELA HEIN? POSTO O PRÓXIMO COM 3 COMENTARIOS. :3

Vinte e Sete

Abri os olhos, tentando me situar de onde eu estava. Meu corpo estava dolorido, o que não me deixava prestar atenção em nada além de muito concreto. A única coisa que consegui perceber foi que eu estava em um salão com colunas de mármore em todo o canto. Eu estava deitada no chão gelado. Porquê estava ali? Não conseguia me lembrar de nada além do momento em que eu ouvi a voz da Micaella. Eu tinha que sair dali antes que ela me pegasse, tinha que avisar os meninos. Me apoiei no chão com a mão e senti meu pulso doer.
-Ai! -gemi baixo.
-Poupa sua força. Você vai ter bastante tempo pra gritar quando meu irmãozinho chegar aqui. -virei a cabeça na direção do som e vi que o Leandro e a Micaella estavam na frente de umas dez pessoas, todas de branco. Me virei de lado e me sentei um pouco desajeitada. Procurei o colar, que ainda estava no lugar.
-Não vamos tirar ele de você. Você vai tirar pra gente.
-Nunca! -me levantei, com a raiva como apoio e caminhei em direção à Micaella.
-O que deu em você? -gritei pra ela.
"Você acha mesmo que algum de nós escolheu isso?" uma voz desconhecida falou em minha cabeça. "Ao menos é melhor do que morrer." a voz de um menino respondeu.
-Quem disse isso? -perguntei.
A porta se abriu. Luan entrou, seguido por dois rapazes.
-Luan?
-Onde você se meteu? O que deu em você pra sair corre- Luan recebeu um chute nas costas que o impulsionou para a frente como se ele fosse uma pena sendo soprada. O baque no chão fez um grande barulho.
-NÃO! -gritei- Não machuquem ele.
Colocaram o Luan de joelhos e lhe deram outro soco, seguido de vários tapas e pontapés. 
-PAREM POR FAVOR!!!
-Dê o colar pra gente. -Leandro disse- Melhor, destrua ele com suas próprias mãos.
-Kate, não! -Luan gemeu.
-Tire o colar ou ele morre.
"Dois devem procurar, achar, construir e destruir essas palavras. Com um casal iniciou-se  a humanidade e também por um casal ela terá seu fim. Um destino a se cumprir, amores para descobrir, uma aventura a viver. Com uma história para contar, a maldição acabará.  Em trevas ou luz a história se findará." A voz do menino disse na minha cabeça novamente. Me virei, procurando por ele em todos os cantos. O achei escondido atrás da porta. "Dê o colar, por favor. Eles são malvados, e não gostam de mim. Vão me machucar."
-Cale a boca, criança estúpida! -Micaella disse pra ele, em voz alta.
-O que ele está falando pra ela?
-Nada demais. Só que está me incomodando.
"Viu? Eles não gostam de mim."
-Podem fazer o que quiser comigo, mas você não tem nada a ver com isso.-eu disse pro Luan.
-Que fofo. -Leandro riu- Vamos lá, já que você quer morrer Katherin, vamos fazer com que nosso amiguinho aqui seja beneficiado com isso. Você se importa mais com ele do que com o Lucas, não é? O Lucas já está perdido, por mais que ele se engane, ele, eu , todos nós já estamos mortos. Já somos monstros. Mas ele não. Ele ainda tem salvação, não é? Vamos ver.
Ele fez um sinal e um homem trouxe uma bolsa de sangue. Mais dois seguraram o Luan pelos braços.
-Me dê as honras. -Leandro pediu. Ele pegou a bolsa e caminhou em direção ao Luan.
-Não. -pedi baixo- Não faz isso.
Ele chegou mais perto, e outro homem segurou a cabeça do Luan, deixando ele com a boca aberta.
-Não! Não faz isso com ele. Eu faço o que vocês quiserem.
-Ótimo! -ele se virou pra mim.
-Me falem como ele consegue voltar ao normal.
-Nem se eu quisesse garota, você tem que descobrir isso sozinha. Agora anda logo, ou ele vai experimentar sangue humano pela primeira vez, vai querer mais, e ninguém vai impedir ele de atacar as pessoas lá fora. Ele vai ficar sedento. Como voce vai ficar sabendo que os dois homens que voce ama não vão poder conviver com você normalmente? Ou, a gente pode simplesmente matar ele. Vai ser mais fácil fazer isso agora do que depois. É, acho que eu mesmo vou fazer isso. -ele se virou pro Luan.
-NÃO! -gritei de novo- Eu tiro.
Meus dedos tocaram o colar. O pingente estava gelado, ou talvez fosse minha mente. 
Puxei e joguei ele no chão. Não podia fazer o Luan sofrer mais ainda.
-Muito bem. Agora pega ele e some daqui. -Leandro disse.
-Porquê não me mata logo? 
-Porque vai ser divertido brincar. -ele riu.
-Le, eu acho melhor...
-Eu sei o que é melhor Micaella. Vai ser bom brincar de pique com esses três por aí. 
-Você é um monstro. Não pelo que você é, mas sim por suas atitudes-eu disse pra ele e fui em direção ao Luan, que estava acordado, mas machucado demais para se manter em pé sozinho.
O ajudei a se levantar e fui embora dali sem nem olhar pra trás. 

AMORS, PRIMEIRAMENTE DESCULPA PELOS ERROS DE ACENTUAÇÃO, ESTOU POSTANDO PELO CELULAR.  ESPERO QUE ESTEJAM GOSTANDO DA FANFIC. O QUE VOCÊS ACHAM, ELA TÁ GOSTANDO DELE OU É REMORSO? 

Vinte e Quatro

POV LUAN
-Tá bom? -Katherin me perguntou. Estávamos naquela loja a quase uma hora. Eu estava com fome e cansado, além de preocupado com ela.
-Tá.
-Tudo pra você tá bom. Eu só quero um casaco, e já experimentei mil coisas.  Não vamos passar mais de dois dias aqui. O quanto antes a gente achar tudo, melhor.
-E se a gente não achar tudo? Ou se a gente achar tudo mas não tiver mais jeito?
-Vai ter um jeito.  E se não conseguirmos achar um jeito de você sair dessa... Se a Renata realmente gostar de você, vai te aceitar, vampiro ou não.
-Pode ter certeza de que ela é a última pessoa com quem eu me preocupo quanto a isso.
Ela me olhou por alguns instantes e então se virou,  pegou um casaco e mais algumas peças e foi em direção ao caixa.
Àquela altura, o único hotel que achamos foi um de beira de estrada, nos limites da cidade, porém perto do endereço da próxima página do diário. Descobrimos que ali antes funcionava um museu da história da cidade, e que no outro dia seria inaugurado um hotel cinco estrelas, com entrada somente para convidados.  Eu como sempre, entrei em pânico, mas a Katherin sempre tinha alguma ideia louca.
-Vamos procurar outro hotel. -ela me disse.
-Porquê?
-Não tem quartos disponíveis aqui.
-Mas já rodamos quase a cidade toda.
-Com licença. -um rapaz se aproximou da gente- Vocês são brasileiros?
-Sim. -respondi.
-Bem, então acho que dou um jeito. Sou gerente daqui.
-Ah, que ótimo! Prazer.
-O prazer é todo meu. -ele sorriu- Temos um quarto. Tem duas camas de solteiro mas vocês podem juntar se quiserem.
-Não! -Kate respondeu- Duas de solteiro está ótimo!
-Então tudo bem. Vou levar vocês lá.
Subimos até o terceiro andar com um elevador velho que rangia a cada centímetro que subia.
-Eu não gosto desse cara. -falei no ouvido de Katherin.
Ele nos deixou na porta do quarto.
-Qualquer coisa é só ligar para a recepção. Ramal um.
Ele virou as costas e desapareceu pelo corredor.
Kate abriu a porta. O aquecedor ainda estava ligado. Além dele havia duas camas, um computador, e ainda uma pequena porta para o banheiro.
Ela entrou e se deitou na cama do lado esquerdo.
-Não é como a de casa mas é melhor do que a poltrona do avião.
Me acomodei na cama do outro lado.
-Quer tomar banho primeiro?
-Não Kate, pode ir.
-Tá. Daqui a cinco minutos. Preciso me adaptar ao fuso-horário.
Fechei os olhos e tentei relaxar um pouco. Acabei adormecendo. Acordei com o barulho de água. Olhei para o lado e vi a cama onde Katherin estava, vazia. Percebi uma luz vindo da porta entre-aberta do banheiro. Minha primeira ação foi desviar o olhar. Ah,  qual é, ela achava que eu estava dormindo! Ouvi o chuveiro sendo fechado e percebi quando ela passou, mas não vi muita coisa, a não ser suas pernas. Alguns minutos (e muito barulho) depois, ela abriu a porta. Voltei a fechar os olhos. Não ouvi nada por algum tempo até que ela tropeçou em algo. Fingi que acordei assustado.
-Desculpa! -ela disse rindo.
-Tudo bem. -respondi.
Me estiquei um pouco e me levantei. Peguei algumas coisas de dentro da mala e fui para o banheiro.
A água quente batendo em minhas costas me acalmava. Eu relaxei. Esqueci por alguns minutos quem eu era, a circunstância em que eu estava... Fiquei lá por um bom tempo. Quando saí, Katherin estava no computador.
-Você devia descansar. -eu disse.
-E você devia por uma roupa.
Olhei pra baixo e vi que estava de toalha. Voltei ao banheiro, me vesti e saí.
-A gente tem que dar um jeito de entrar nessa festa.
-Podíamos ir pelos fundos.
-Precisamos de roupas. Parece que nessa festa deve-se ir de branco ou vermelho,  para homenagear o país.
-Amanhã faremos isso. Mas agora você precisa dormir.
-Tá. Tudo bem. Amanhã resolvemos.

AÍ VOCÊ DEMORA UM ANO ESCREVENDO E O CAPÍTULO NÃO SAI GRANDE TANTO QUANTO VOCÊ ESPERAVA KKKKKKKKK MAS VOU FAZER O SEGUINTE: ASSIM QUE TIVER 3 COMENTÁRIOS EU POSTO O PRÓXIMO. BEIJOOOOOOOS. :*

Vinte e Três

No voo, eu não consegui dormir. Olhava pro teto, pela janela, para o Luan, fazia anotações mentais dos motivos de ainda estar ali.
1- Eu não queria que o mundo acabasse por minha culpa (ainda que fosse praticamente impossível que somente eu e Luan pudéssemos iniciar o apocalipse,  eu duvidava de pouca coisa diante do que estava vivendo).
2-A curiosidade de saber se a morte da minha mãe tinha a ver com aquilo tudo só fazia crescer.
3- Ter definitivamente o Lucas do meu lado.  Isso foi diminuindo ao passar do tempo em que eu começava a pensar.  E se ele ainda tivesse me enganando? E se eu tivesse sido burra em perdoá-lo tão fácil? Quanto mais eu pensava, mais confusa ficava. 
4- Tirar o Luan daquela bagunça. Mas primeiro eu precisava entender o porquê de minha avó ter colocado ele no meio. Talvez fosse algum tipo de ritual mágico que teríamos de fazer. Eu já não acharia tão bizarro naquela altura.
-No que você tá pensando? -perguntei de repente a ele.
-Em quando você colou meu cabelo. Eu não tinha ideia do quanto eu gostava dele até aquele dia.
-Tínhamos seis anos -eu ri- E você não deixou barato.
-Tinta marrom, a solução de todos os problemas do mundo. -ele sorriu.
-É... -eu disse olhando pela janela a imensidão branca abaixo de nós- Eu queria que tinta marrom nos ajudasse agora.
Senti meus olhos se enchendo de lágrimas.
-A gente se meteu em uma boa...
-Só que ao contrário, Santana.
-Me chama de Luan. O Santana me faz lembrar de quando você queria me matar.
-Como se você não quisesse também.
-Não. Na verdade eu nunca quis.
Olhei sua mão estendida no banco e a segurei. Desisti de tentar manter distância e o abracei. Na hora errada.  O avião começou a passar por turbulência e eu acabei quase caindo por cima de Luan.
Ficamos lá rindo enquanto os outros passageiros chegavam a se tremer.
Vi olhares desesperados naquelas pessoas, mesmo que elas soubessem que estavam seguras.
Me peguei pensando em como uma pessoa se sentiria ao se deparar com alguém como o Lucas e soubessem que iria morrer.  Se alguém soubesse quem o Luan era... dariam um jeito de matá-lo ali mesmo.
A ideia me fez estremecer. Eu não queria perdê-lo. Eu estranhamente não queria perdê-lo.
-Tô com fome.
-Mas você acabou de... -ele me lançou um olhar de "não termine essa frase", e eu soube que o melhor que eu fazia era ficar quieta.

Vinte e Dois

POV KATHERIN
Luan estava estranho, mas isso era de se esperar. Acho que fui rude com ele.
Estávamos comendo, e ele sequer olhava em meu rosto.
-Se você não quiser ir... Não tem problema. Olha, eu acho que você não tem nada a ver com isso. Esse problema é meu, isso tudo é culpa minha.
-Não é. Eu não tenho culpa, nem você. -ele segurou minha mão de um jeito carinhoso. Um jeito que eu nunca tinha imaginado que Luan seguraria.
Olhei em seus olhos e senti que aquele carinho era verdadeiro.
Ele estava me protegendo. Percebi isso quando ele tentou impedir o Lucas de tocar em mim.
-Eu estou ficando maluca com tudo isso. -tirei minha mão de debaixo da dele. Eu realmente estava. Sentia que podia fazer de tudo para protegê-lo, para ter ele perto, são e salvo.
O restaurante onde estávamos tinha música ao vivo, e numa hora um pouco inoportuna, devido a meus pensamentos, a mulher começou a tocar uma música que eu nunca tinha ouvido, mas que mexeu comigo naquele momento.

" Tell my love to wreck it all
Cut out all the ropes and let me fall
My, my, my, my, my, my, my, my
Right in the moment this order's tall
And I told you to be patient
And I told you to be fine
And I told you to be balanced
And I told you to be kind
In the morning I'll be with you
But it will be a different "kind"
'Cause I'll be holding all the tickets
And you'll be owning all the fines"

-Luan, e quando... quer dizer, se isso tudo acabar, o que vai ser? -ele respirou fundo.
-Ao menos um de nós tem que acabar bem. -ele beijou minha mão.

**

Não consegui dormir, estava perturbada demais. Mesmo deitada no colo do Lucas, não conseguia ficar confortável.
Sentia sua mão passar pelos meus cabelos, com uma delicadeza que me fazia tremer por dentro.
-Kate? -ele perguntou.
-Sim?
-Eu preciso te contar uma coisa. -me sentei.
-O quê?
-Quando eu te conheci... Eu vi uma chance de cura. Eu tenho vergonha de te dizer isso, mas é a verdade.
-Porquê? Cura... comigo?
-O dinheiro da sua família. Pensei que... se eu me casasse com você, teria o suficiente pra pagar alguém pra estudar sobre isso e me livrar de uma vez por todas. Por isso pedi para o Leandro usar a névoa e... criar todas essas lembranças.
-Isso devia me fazer te odiar. Mas eu não consigo. -comecei a chorar. Lucas me abraçou- Por favor, me diz o que foi real.
-O sentimento é real. Eu te amo. Eu não estaria aqui se não te amasse de verdade. O colar não me deixaria chegar perto.
-Qual a história dele?
-Ainda não sei. Mas acho que vamos descobrir logo.

Vinte e Um

Enquanto Luan tomava banho, eu procurava alguma pomada para queimaduras na casa. Revirei todos os armários, até que ele me chamou. Quando cheguei no quarto, ele tinha pomada onde conseguiu passar, estava com uma bermuda. Deu pra ver que suas costas também tinham algumas marcas vermelhas.
-Passa pra mim?
-Não vai me atacar querendo meu sangue? -ele bateu na mesa com força.
-Você acha mesmo que eu quero isso pra mim? Eu nem... nem me lembro de como isso aconteceu, eu só acordei me sentindo estranho. Daí a Micaella veio me falar aquelas coisas... eu ainda tô confuso.
-Micaella? A mais certinha do seu grupo?
-Ela não é tão ingênua quanto parece.
-É... percebi. E o que, ela é uma vampira também?
-É. -ele me olhou- Você não faz ideia do perigo que tá correndo.
Um vento forte abriu a janela, o que me fez me arrepiar.
Lucas entrou e praticamente voou para o pescoço do Luan, jogando-o no chão. Luan tentava se levantar mas Lucas era mais forte que ele.
-Fica longe dela. -ele levantou a mão como se fosse dar um soco no Luan.
-Lucas, não! -gritei.

POV LUAN
Quando ouviu a voz da Katherin, Lucas pareceu se acalmar. Ele segurava meu pescoço de um jeito que normalmente me faria sufocar, mas não o fez. Aquilo só me segurava no chão.
-O que vocês vieram fazer aqui? -ele perguntou mantendo o olhar fixo em mim, mas se dirigindo a ela.
-Dá pra me soltar? -pedi.
-Viemos... viemos atrás do diário.
-Porquê?
-Eu... eu não quero perder você. -Kate respondeu.
Eu deveria ter ficado mexido por aquela resposta ser tão romântica? Era de se esperar que ele fosse o motivo de ela estar tão interessada.
-Dá pra me soltar? -pedi de novo.
-Tudo bem Santana, mas não saia da minha frente.
Ele me soltou e eu me levantei.
-Porque você não me avisou que vinha? Eu pedi pra você não sair da chácara.
-Eu tive que vir. Lucas, se eu juntar essas páginas, talvez eu consiga fazer com que você e o Luan voltem ao normal, talvez tenha alguma coisa lá.
-Não, não tem! Você não entende? Essas palavras são amaldiçoadas, assim como eu! -ele pareceu tenso e se aproximou da Katherin- pelo menos você tá fazendo o que eu falei sobre o colar. -ele pareceu querer tocar o pingente e instintivamente eu segurei sua mão.
-Não toca. E ela não vai tirar, eu sei o que vocês querem.
-Não, você não sabe. Precisamos conversar.

POV KATHERIN
Lucas e Luan estavam no quarto ao lado. Eu tinha vontade de ir lá, perguntar o porque de se tudo tinha a ver comigo, eu não podia ouvir. Então resolvi ler a página.
"Cheguei hoje a Londres. Tudo parece mais bonito do que no Brasil. Não me sinto perseguida aqui. Sinto falta dele. De quem ele era pra mim. Fora disso... nada mais parece certo.
Não sei o que minha família vai dizer quando perguntarem sobre mim. A verdade, com certeza não será dita. Estou grávida do que dizem ser uma aberração. Ele não é isso, é uma pessoa normal. Com necessidades diferentes. Eu o amo, e não vou deixar esse amor acabar.
Nosso filho irá se vingar de todos os que nos separaram. Ou, quem sabe eu mesma vou. Mas antes, tenho que encontrar uma forma de ficarmos juntos, de ficarmos bem."
Um endereço novo brilhou no rodapé da página. A próxima estava do outro lado do oceano.

POV LUCAS
-Espero que você tenha entendido. -Luan disse- Eu só quero protegê-la.
-E como consequência, se proteger também. O Leandro te mataria em três segundos. Ou menos.
-Se por acaso eu... se minha transformação for completa, tem como reverter depois?
-Se eu gostasse de você, eu diria para fazê-la logo. Você vai sentir dores e vai acabar morrendo. Mas como eu não gosto de você, eu vou te dizer a verdade. Tem como pausar isso. Para a transformação ser completa, você precisa de todo o sangue do corpo de uma pessoa, você teria que mata-la. Mas se você... só tiver um pouco de sangue humano em seu organismo quando começar a morrer, vai prolongar sua vida em algum tempo.
-Então é só isso?
-Não. Nada nessa vida é fácil. Eu tentei fazer isso. E fiz por um bom tempo. Até vocês abrirem aquele diário estúpido. Agora... eu preciso de sangue sempre. Você não tem ideia do quanto é difícil.
-Você pode não acreditar. Mas eu e a Katherin vamos achar aquele diário, vamos acabar com isso e ela vai ficar bem, vai ficar segura. Enrolada num edredom, sentada na varanda com... uma xícara de chocolate quente, olhando as estrelas, como ela sempre gostou de fazer.
-Como você sabe disso? -ele me perguntou.
-Quem você acha que te ligou quando ela estava tarde da noite na praia? -Kate bateu na porta e entrou.
-Meninos... temos que ir até o Canadá. Isso é... se vocês quiserem vir comigo.

LUCAS VOLTOU! :O KKKKKKKKKKKKK COMO SERÁ QUE VÃO SER AS COISAS AGORA? :S O CAPÍTULO FICOU BEM GRANDINHO NÉ? QUERIA TER CRIATIVIDADE PRA FAZER SEMPRE ASSIM. :/ PASSAMOS DAS MIL VISUALIZAÇÕES. *----* O QUE VOCÊS ACHAM DE COMENTAR EIN? EU ADORO LER :3 HAHAHA