Vinte e Um

Enquanto Luan tomava banho, eu procurava alguma pomada para queimaduras na casa. Revirei todos os armários, até que ele me chamou. Quando cheguei no quarto, ele tinha pomada onde conseguiu passar, estava com uma bermuda. Deu pra ver que suas costas também tinham algumas marcas vermelhas.
-Passa pra mim?
-Não vai me atacar querendo meu sangue? -ele bateu na mesa com força.
-Você acha mesmo que eu quero isso pra mim? Eu nem... nem me lembro de como isso aconteceu, eu só acordei me sentindo estranho. Daí a Micaella veio me falar aquelas coisas... eu ainda tô confuso.
-Micaella? A mais certinha do seu grupo?
-Ela não é tão ingênua quanto parece.
-É... percebi. E o que, ela é uma vampira também?
-É. -ele me olhou- Você não faz ideia do perigo que tá correndo.
Um vento forte abriu a janela, o que me fez me arrepiar.
Lucas entrou e praticamente voou para o pescoço do Luan, jogando-o no chão. Luan tentava se levantar mas Lucas era mais forte que ele.
-Fica longe dela. -ele levantou a mão como se fosse dar um soco no Luan.
-Lucas, não! -gritei.

POV LUAN
Quando ouviu a voz da Katherin, Lucas pareceu se acalmar. Ele segurava meu pescoço de um jeito que normalmente me faria sufocar, mas não o fez. Aquilo só me segurava no chão.
-O que vocês vieram fazer aqui? -ele perguntou mantendo o olhar fixo em mim, mas se dirigindo a ela.
-Dá pra me soltar? -pedi.
-Viemos... viemos atrás do diário.
-Porquê?
-Eu... eu não quero perder você. -Kate respondeu.
Eu deveria ter ficado mexido por aquela resposta ser tão romântica? Era de se esperar que ele fosse o motivo de ela estar tão interessada.
-Dá pra me soltar? -pedi de novo.
-Tudo bem Santana, mas não saia da minha frente.
Ele me soltou e eu me levantei.
-Porque você não me avisou que vinha? Eu pedi pra você não sair da chácara.
-Eu tive que vir. Lucas, se eu juntar essas páginas, talvez eu consiga fazer com que você e o Luan voltem ao normal, talvez tenha alguma coisa lá.
-Não, não tem! Você não entende? Essas palavras são amaldiçoadas, assim como eu! -ele pareceu tenso e se aproximou da Katherin- pelo menos você tá fazendo o que eu falei sobre o colar. -ele pareceu querer tocar o pingente e instintivamente eu segurei sua mão.
-Não toca. E ela não vai tirar, eu sei o que vocês querem.
-Não, você não sabe. Precisamos conversar.

POV KATHERIN
Lucas e Luan estavam no quarto ao lado. Eu tinha vontade de ir lá, perguntar o porque de se tudo tinha a ver comigo, eu não podia ouvir. Então resolvi ler a página.
"Cheguei hoje a Londres. Tudo parece mais bonito do que no Brasil. Não me sinto perseguida aqui. Sinto falta dele. De quem ele era pra mim. Fora disso... nada mais parece certo.
Não sei o que minha família vai dizer quando perguntarem sobre mim. A verdade, com certeza não será dita. Estou grávida do que dizem ser uma aberração. Ele não é isso, é uma pessoa normal. Com necessidades diferentes. Eu o amo, e não vou deixar esse amor acabar.
Nosso filho irá se vingar de todos os que nos separaram. Ou, quem sabe eu mesma vou. Mas antes, tenho que encontrar uma forma de ficarmos juntos, de ficarmos bem."
Um endereço novo brilhou no rodapé da página. A próxima estava do outro lado do oceano.

POV LUCAS
-Espero que você tenha entendido. -Luan disse- Eu só quero protegê-la.
-E como consequência, se proteger também. O Leandro te mataria em três segundos. Ou menos.
-Se por acaso eu... se minha transformação for completa, tem como reverter depois?
-Se eu gostasse de você, eu diria para fazê-la logo. Você vai sentir dores e vai acabar morrendo. Mas como eu não gosto de você, eu vou te dizer a verdade. Tem como pausar isso. Para a transformação ser completa, você precisa de todo o sangue do corpo de uma pessoa, você teria que mata-la. Mas se você... só tiver um pouco de sangue humano em seu organismo quando começar a morrer, vai prolongar sua vida em algum tempo.
-Então é só isso?
-Não. Nada nessa vida é fácil. Eu tentei fazer isso. E fiz por um bom tempo. Até vocês abrirem aquele diário estúpido. Agora... eu preciso de sangue sempre. Você não tem ideia do quanto é difícil.
-Você pode não acreditar. Mas eu e a Katherin vamos achar aquele diário, vamos acabar com isso e ela vai ficar bem, vai ficar segura. Enrolada num edredom, sentada na varanda com... uma xícara de chocolate quente, olhando as estrelas, como ela sempre gostou de fazer.
-Como você sabe disso? -ele me perguntou.
-Quem você acha que te ligou quando ela estava tarde da noite na praia? -Kate bateu na porta e entrou.
-Meninos... temos que ir até o Canadá. Isso é... se vocês quiserem vir comigo.

LUCAS VOLTOU! :O KKKKKKKKKKKKK COMO SERÁ QUE VÃO SER AS COISAS AGORA? :S O CAPÍTULO FICOU BEM GRANDINHO NÉ? QUERIA TER CRIATIVIDADE PRA FAZER SEMPRE ASSIM. :/ PASSAMOS DAS MIL VISUALIZAÇÕES. *----* O QUE VOCÊS ACHAM DE COMENTAR EIN? EU ADORO LER :3 HAHAHA

Vinte

-Estava esperando por vocês! -uma mulher disse quando abriu a porta da casa. Espera, ela estava falando português?
-Como sabe quem somos nós? -Luan perguntou.
-Sei reconhecer um Vetala quando estou frente à frente com um. E o colar... -ela olhou pra mim de um jeito estranho.
-Nenhum de nós é... -parei a frase no meio. Lembrei que Luan nao tinha me falado exatamente o que aconteceu. A mulher riu.
-Vamos, entrem.
Mesmo com medo, segui em frente. E se naquele dia eu descobrisse algo que era um mistério até para a polícia? E se eu tivesse a oportunidade de me vingar de quem quer que fosse responsável por tirar a minha mãe de mim? Se aquela mulher tivesse algo a ver com isso, eu não pensaria duas vezes antes de voar na garganta dela.
-Sentem-se. Vocês querem alguma coisa? Um chá talvez...
-Não, obrigado. -respondi- Porque você estava nos esperando?
-Ora, a muitos anos eu espero alguém que pegue essa primeira página logo! Você veio trazer mais vida do que morte, acredite.
-Não, morte não. Não quero nenhuma morte.
-Nem tudo o que se quer se consegue. -ela olhou pro Luan.
-Onde tá a página? -Luan perguntou.
-Lá em cima. Mas você não vai poder entrar, só a garota.
-Porquê? -perguntei.
-Porque é assim que deve ser.
-Não vou deixar a Kate sozinha.
-Se quiser pode tentar entrar. Seu sangue não vai deixar. -ela sorriu.
-Nos leve logo até lá.
-Não posso esperar mais pela liberdade! -ela bateu palmas.
A seguimos por dentro da casa. Parecia mais velha por dentro do que por fora. Algumas teias de aranha tomavam conta do papel de parede, que parecia ser um bege mais antigo do que a própria casa. A escada rangia. Enquanto subíamos, olhei várias vezes para saber se Luan estaria lá. Ele correspondia meu olhar, mas eu não conseguia me acalmar.
-É na última porta. -ela apontou para o final do corredor. Luan estava ao meu lado. Seguimos até lá enquanto eu sentia que aquela mulher estava sorrindo. Eu sentia que talvez aquilo não daria certo. Mas já estávamos na porta.
Coloquei devagar a minha mão na maçaneta. O metal frio me fez ficar mais tensa ainda. Quando a porta e abriu, vi que havia um tipo de altar prateado com uma página em cima. Uma pequena janela fazia com que a luz do sol se direcionasse diretamente para o altar. Entrei no quarto com o pensamento de pegar aquilo e encher aquela mulher de perguntas. Mas então algo estranho aconteceu. Luan tentou entrar no quarto e uma luz azul iluminou todo o cômodo. Ele foi jogado pra trás com uma velocidade absurda. Tentei sair do quarto e ajudá-lo, mas o que às vistas parecia uma passagem normal, era como vidro. Onde eu tocava, pequenos raios tão azuis quanto o pedra de meu colar apareciam.
-Me deixe sair!
-Primeiro você tem que pegar a página. Depois sair. -Luan gemeu encostado na parede.
-Ajude-o! Ou me deixe ajudar.
-Eu disse que ele não entraria. Você só pode sair depois que pegar a página.
Jurando pra mim mesma que iria matá-la quando saísse dali, virei-me e peguei a página. Parecia tão frágil que a peguei com o maior cuidado do mundo, e logo me virei de volta. Passei pela porta com facilidade e fui ao encontro do Luan.
-Tudo bem?
-Sim. Só parece que me jogaram em uma fogueira e depois em um moedor de carne.
-Vamos. -o ajudei a se levantar. Procurei a mulher, mas ela não estava lá. -Eu vou matar aquela vadia.
Luan riu. Quando chegamos na escada, a vi no andar debaixo. Ela tinha se jogado. Havia morrido com um sorriso no rosto. Um sorriso de satisfação.

Amors, e aí? Tá pequeno o cap? :x Escrevi ele sem medir. Kkkk Eu ia postar o 20 e o 21 hj mas n deu pq eu to cheeeeeeeia de atividade pra fazer, e fui fazer o que? Pintar o cabelo. Kkkk Aí não deu tempo pra fazer quase nada, ainda vou terminar. :c É isso amors, bjs.

Dezoito

Amors, antes de começar acho importante dizer que tirando com Luan, todos os diálogos da Katherin com outras pessoas são em inglês. Boa leitura!

POV KATHERIN
Uma mulher desceu as escadas. Ela parecia ter um pouco mais de cinquenta anos, usava um conjunto de calça e blusa verde com um casaco florido de fundo branco por cima, salto alto e joias. Sua pele era branca e já marcada pela idade, seu cabelo era já fino e com um louro que me deixava dúvidas se era natural ou não.
-Quem é voce? -perguntei.
-Eu devia perguntar isso mina jovem...
-Essa casa é da minha família.
-Bem... é da minha também. -ela sorriu. Eu conhecia aquele sorriso. De alguma forma, ele me lembrava a minha mãe.
-Voce é a minha avó? -ela continuou a me observar de cima da escada.
-Katherin?
-É. -disse sem jeito para alguém que nunca tinha visto pessoalmente- A senhora está morando aqui agora?
-Não... Passo às vezes pra ver se está tudo do jeito que a Michelle gostaria.
A menção do nome da minha mãe me fez ficar um pouco mais sensível naquele momento, me fez prestar atenção no que estava acontecendo.
-Eu posso te abraçar?
Ela sorriu e eu considerei aquilo como uma afirmaçao. Dei alguns passos e Luan segurou meu braço.
-Tudo bem, é a minha avó.
Ele me olhou, olhou para ela. Pareceu considerar e me soltou. Subi a escada e a abracei, sem querer saber o que ela pensava de mim, esquecendo-me (ou não dando importância) do fato de ela nunca querer ter contato algum comigo. Ela me abraçou forte.
-Você... você não parece nem um pouco com sua mãe. -ela sorriu e eu também. Eu sabia disso. Minha mãe tinha a pele super branca e era loira, com os cabelos lisos, enquanto eu era um pouco mais morena e meus cabelos eram negros e cacheados, parecia muito mais com o meu pai. Quando nos soltamos, toquei em seu rosto, emocionada por aquele momento.
-Bem, eu tenho que ir. -ela olhou para cima, como se tentasse conter lágrimas- Até quando você vai ficar?
-Ainda não sei.
-Então nos vemos logo.
Ela desceu as escadas calmamente e saiu. Me sentei ali mesmo na escada. Não chorei, não me senti feliz ou nada parecido. Simplesmente refleti sobre o que estava acontecendo. Meu namorado era um vampiro, a maioria da mina vida poderia ter sido apenas uma ilusão e a única certeza que eu tinha era a de estar na casa de meus pais com o cara que eu mais tinha odiado na minha vida. Será que o ódio era real?

POV LUAN
Nao tinha entendido o que aconteceu. Aquilo não durou nem três minutos. Katherin estava sentada na escada e me olhava, como se esperasse que eu fizesse alguma coisa. Nunca tinha reparado em como seus olhos cinza eram tão lindos. Eles pareciam querer me hipnotizar de alguma forma. Percebi que parecia um idiota só olhando e sentei do lado dela.
-E agora, o que fazemos?
-Você precisa descansar.
Ela me abraçou. Porque tinha feito aquilo? Depois de alguns segundos tentando entender, a abracei também.

Dezessete

POV KATHERIN
Parecia que Luan tinha planejado aquilo tudo havia meses. Apesar dos olhares estranho enquanto saíamos do avião, sequer ninguém nos perguntava nada. Não tinham achado estranho alguém embarcar e desembarcar de um avião sem passar por nenhuma vistoria?
Eu continuava um pouco tonta. Me sentia cansada e um pouco abatida.
-Em qual hotel a gente pode ficar? -Luan perguntou.
-Não precisa de hotel. -eu disse- Trouxe as chaves de... casa.
Era estranho chamar de casa um lugar onde estive poucas vezes. Era como se eu soubesse que aquilo não ia ser bom, mas mesmo assim... Sabia que eu precisava ir.

POV LUAN
Eu não queria, mas tive que fazer. Não gosto da palavra enganar, era mais algo como... apresentar um novo fato.
Com pessoas desconhecidas tudo bem, afinal eu provavelmente nunca mais as veria de novo, mas com a Katherin era diferente. Mas eu não podia dizer que eu fiquei enfurecido de fome no meio da viagem (enfurecido mesmo, não tinha sentido tanta fome na minha vida) e quase agredi a aeromoça. Quando ameaçaram parar o avião eu me controlei. Me deram mais comida e eu me acalmei um pouco. A Katherin tinha ficado assustada demais comigo, até que naturalmente ela se acalmou e dormiu.
Agora íamos em direção à casa de sua família em Londres. Ela parecia um pouco chocada, mas tentava não deixar isso transparecer. Preferi olhar a paisagem da cidade a preocupa-la com o que já estava parecendo obsessão. O dia estava um pouco cinza e o taxista nao parecia amistoso como os do Brasil. Vi mais prédios e casas do que natureza. As casas eram como em Girassol, pareciam um pouco antigas. Depois de quase uma hora, comecei a ver um pouco de verde e o táxi parou em uma casa vermelha.

Não foi o tamanho da casa que me chamou atenção e sim um bosque atrás dela. Assim que paramos, senti um cheiro que vinha de lá que era um pouco estranho, mas que gritava "comida aqui, vem Luan, corre!". Eu queria sair correndo do carro ali mesmo, mas não ficaria bem pra mim. Paguei o táxi e ajudei com as malas. Ficamos um pouco adimirando ela.
-Tem tanto tempo que eu não piso aqui, que ninguém da família entra...
-Então eu acho que esse é um momento muito especial, será que eu não devia ir pra algum hotel ou...
-Não -ela me interrompeu- Vamos entrar juntos.
Kate pegou a chave, encaixou e girou. Quando a porta abriu, um cheiro de casa no campo veio até nós. Katherin foi a primeira a entrar. Em seguida eu tentei, mas minha pernas não conseguiam sair do lugar.
-Entra Luan.
Como se fosse algum truque, minhas pernas me levaram pra dentro. A casa estava super limpa e arrumada. Parecia até que alguém tinha terminado de arrumá-la a alguns minutos. Kate também pareceu achar estranho.
-Tem alguém aqui? -ela perguntou.

Dezenove

POV KATHERIN
Acordei às nove da manhã do outro dia. Me joguei embaixo do chuveiro e comecei a chorar sem nenhum motivo aparente. Depois, comecei a lembrar. Onde estaria o Lucas? Meu pai? Eu tinha abandonado eles para ir atrás de uma aventura que eu nem sabia se daria certo. O motivo disso tudo era tentar salvar o Lucas. Mas algo me dizia que aquilo não daria certo. Que algo iria acontecer no caminho, que iria mudar minhas concepções do que era "certo". Mas o que?
Um destino a se cumprir, amores para descobrir, uma aventura a viver. 

POV LUAN
Acordei de manhã. Pelo menos eu sabia que estava no bosque atrás da casa, mas tinha de sair dali. Me sentia satisfeito, mas não tinha ideia de como tinha conseguido isso. Me levantei e segui pela trilha. De repente algo me bateu e me derrubou no chão. Senti uma dor insuportável em meu braço e tentei me levantar. Me derrubaram novamente, e dessa vez ele parou na minha frente.
-Oi Santana.
-Leandro?
-Achou que eu não ia achar vocês aqui?
-O que você quer?
-Matar você. -gelei- Não é nada pessoal, é questão de sobrevivência. Você quer destruir o diário, e desse jeito você me destrói. Então, se eu acabar com você primeiro...
-Eu só quero ser normal!
-O Lucas também queria isso e olha só o que aconteceu... Fugimos e ele acabou se apaixonando pela garota da profecia. Ela eu não posso machucar, por causa daquele maldito colar. E nem você, quando estiver perto dela. Mas você aqui, tão vulnerável... Me faz até pensar um pouco em negar o pedido da Micaella. 
-Onde ela está?
-No Brasil. Você a enganou, mas ela te perdoou e quer que eu te dê uma chance. É simples. Você tira aquele colar dela, eu acabo com ela e todo mundo fica vivo. Em compensação a comida vai ficar mais escassa e a gente vai ter que fugir a todo tempo. A humanidade está ficando inteligente demais, se descobrirem sobre a gente logo dão um jeito de nos capturar e destruir. Mas isso você vai aprender com o tempo, sua transformação sequer está completa... Vou te dar uma chance Santana. Você tira aquele colar dela, ou tenta a sorte de nunca sair de perto dela, o que vai ser um pouco difícil. Resumindo... você não tem escolha. 
Ele sumiu.

POV KATHERIN
Luan entrou no quarto em que eu estava fechando as janelas.
-Se veste. A gente tem que ir lá logo.
-O que foi isso? -perguntei apontando para o seu rosto que estava arranhado e um pouco roxo.
-Nada demais, você já está melhor?
-Bem melhor.
-Está fazendo frio lá fora, é melhor levar um casaco.
-Tudo bem, eu só preciso comer um pouco.
-É, eu... esqueci desse detalhe. Tem algum restaurante aqui perto?
-Na outra rua.
-Tudo bem. Olha, eu não que pareça que eu estou te pressionando demais.
-Não tem nada. A gente já perdeu tempo demais.
Olhei o Luan. Ele estava usando tudo preto, inclusive sua touca. Ele ficava mais bonito com ela, parecia que aquilo valorizava o rosto dele. Seus olhos brilhavam, negros como suas roupas. Descemos as escadas e fomos até a garagem de casa, sabia que havia um carro lá que meu pai usava quando ia até Londres. Tive uma surpresa quando ela se abriu.



-Uau! -eu e Luan dissemos ao mesmo tempo.
-Como eu vou dirigir isso? Aqui a via é esquerda!
-A gente vai ter que se virar.
-Eu, no caso.
-Meu pai consegue. Talvez um Santana nao...
-Vamos logo!
Ele teve um pouco de dificuldade nos primeiros metros, e olha que o bairro nao é tao movimentado, mas depois começou a se acostumar. Eu comi enquanto ele ficou olhando.
-Não tá com fome?
-Não. -ele respondeu simplesmente.
Terminei de comer e voltamos pro carro. Coloquei o endereço da casa no GPS e fui traduzindo as instruções pro Luan. Começamos a ir pro centro. Ele se embaralhou mais um pouco no transito mas logo chegamos. O prédio parecia abandonado, mas perguntei a uma pessoa que passava na rua ela me disse que uma mulher morava lá. Segurei a mão do Luan e bati na porta.

AMORS! CONSERTEI O DEZESSETE MAS O DEZENOVE FOI PRA DEBAIXO DELE O.O PASSEI ATÉ DIA PRA VER E CONSERTAVA MAS FICOU DO MESMO JEITO :( ENTAO PRA NAO DEIXAR VOCES MAIS TEMPO SEM CAPÍTULO, POSTEI ASSIM MESMO. NAO BRIGUEM COMIGO, BRIGUEM COM O BLOGGER U.U KKKK BJS :*

Dezesseis

POV LUAN
Eu não fazia a mínima ideia de como embarcaríamos naquele voo nem se chegaríamos a tempo. Na verdade eu nem sabia como a Micaella tinha caído na minha conversa de precisar pensar, sendo que ela me falou que eu poderia enganar qualquer um. Agora eu tinha certeza que da próxima vez que nos víssemos, ela ia me matar.
A Katherin dormia no banco de trás. Parecia cansada. Mas estava linda.
Os cachos dela caindo por cima daquele rosto meigo, com feições de quem estava preocupada, me encantavam tanto que às vezes eu até diminuía a velocidade do carro para poder admirar ela um pouco.
Quando chegamos à capital, eu não estava nem um pouco cansado. Fomos direto para o aeroporto, onde a Katherin comeu um pouco antes do voo ser anunciado. Nossas malas já tinham sido despachadas.
-A gente não tinha que passar pelo procedimento padrão antes?
-Não. -respondi calmamente. Por dentro eu estava muito nervoso.
A segurança nos parou no portão.
-Vocês já passaram por tudo?
-Sim,-olhei no crachá dele- Ricardo. Já te entregamos tudo.
Vi sua pupila se dilatar assim como aconteceu com a Micaella e ele deu sinal para os outros nos deixarem passar.
Algum tempo depois, já estávamos no avião. Estava ficando cansado (vampiros se cansam?), mas tinha medo de acontecer aquilo no ar. Tentei resistir ao máximo mas não consegui, acabei adormecendo.

POV KATHERIN
Assim que entrei no avião, eu adormeci. Acordei algum tempo depois, com o Luan encostando em mim. Ele não me parecia repulsivo dormindo. Eu poderia até abraça-lo. Poderia, mas não o faria. Isso envolvia muito mais do que uma simples vontade.
Então eu simplesmente fechei os olhos e adormeci novamente.
-Ladies and gentlemen, we are in British territory, be landing in about 10 minutes. (Senhores passageiros, já estamos em território Britânico, pousaremos em aproximadamente em 10 minutos.)
Acordei com o comandante falando que já tínhamos chegado na Inglaterra. Eu tinha dormido a viagem inteira? 
Luan já estava virado para o outro lado. Cutuquei ele e ele acordou um pouco assustado.
-O que foi?
-A gente tá chegando.
-Finalmente! -ele se espreguiçou.
-Dormiu muito?
-O tempo todo. Você também. -me senti um pouco estranha quando ele disse isso. Como se eu ficasse tonta alguns segundos, e de repente eu comecei me lembrar até dos sonhos que tive.
-Vou no banheiro antes que a gente pouse.
-Tudo bem. -respondi- Ah, Luan... Você sabe falar inglês, não é?
-Nem um pouco. -ele disse, riu e foi embora.

AMOOOOOOOOOOOOOOOORS! ENTÃO, NEM VOU FALAR NADA DE COMENTÁRIOS PORQUE DEMOREI SÉCULOS PRA POSTAR =X MAS E AÍ, TÃO CURTINDO? QUER DIZER, AINDA TEM ALGUÉM LENDO? KKKK BEIJOS E ATÉ O PRÓXIMO CAP. :*

Quinze

POV KATHERIN
Tomei um susto quando vi meu pai abrindo a porta. Corri para abraça-lo, mesmo com o corpo mole por causa do resfriado.
-Pai! Onde você estava?
-O quê? Eu estava aqui, eu te disse que viria. -ele me abraçou- Katherin, você está queimando de febre!
Ele pegou o termômetro, me colocou deitada na cama e pôs ele debaixo do meu braço.
-Vou pegar o antitérmico.
Ele pegou o remédio e eu tomei. O termômetro apitou. Eu estava com quase 40 graus de febre.
E se tudo aquilo foi uma alucinação?
O mais estranho era que mesmo com a temperatura alta eu me sentia bem.
-A gente vai ter que ir até a cidade.
-Não pai! Quer dizer... Eu tô me sentindo melhor. Só foi um pouco de chuva.
Ele se sentou em minha cama e colocou minha cabeça em seu colo. Era bom ter meu pai perto. Era bom saber que ao menos ele era real.
Quando acordei, estava chovendo. Meu pai estava me chamando.
-Tem... tem uma pessoa que quer falar com você. Consegue descer?
-Uma pessoa?
-É.
-Tudo bem.
Me enrolei no edredom e desci devagar pra sala. Algum tipo de felicidade se instalou em mim quando eu vi que era o Luan.
-Pai... o senhor pode deixar a gente sozinho?
Ele olhou feio para a cara do Luan antes de responder.
-Tudo bem. Mas eu vou estar perto, no estábulo. Qualquer coisa é só me gritar.
Meu pai saiu e eu me sentei.
-Vamos pra Londres amanhã.
-O quê?
-Seu passaporte está atualizado?
-Está mas... eu não posso sair daqui.
-O colar também te protege.
-Como você sabe dessas coisas?
-Eu te explico no caminho. Agora a gente tem que ir pra capital antes que a Micaella se dê conta de que eu fugi.
-Não. E se você estiver junto com o Leandro? Se quiser me matar também.
Luan pareceu impaciente e subiu as escadas em direção ao meu quarto. Subi atrás dele o mais rápido que consegui. Quando cheguei lá, metade do meu armário estava na mala.
-Não tenho certeza, nas a gente tem que começar pelo endereço que tem no diário. Pegamos o primeiro voo pra la que apareceu. Eu tenho dinheiro o suficiente para alguns dias. Depois a gente se vira.
Ele colocou o que lhe parecia essencial em duas malas, fechou elas e as levou pra baixo. Aquilo era loucura. Eu estava febril, sem condições de fazer uma viagem internacional, mas fui até o armário do banheiro (achei que cofres já estariam manjados) e peguei o diário. Luan desceu com as malas enquanto eu tentava me arrumar um pouco. Depois, ele me ajudou a descer.
-Espera. -pedi e fui até o estábulo. Meu pai tomou um susto ao me ver um pouco mais revigorada do que a alguns minutos antes.
-O que... aonde você vai? -eu o abracei.
-Eu preciso pai. É o único jeito.
-Jeito de que?
-Eu vou voltar. Vou descobrir o que ou quem matou a mamãe. Vou descobrir um jeito de trazer o Lucas de volta.
-Katherin, do que você está falando?
-Eu te amo pai. Tome muito cuidado. E ande sempre armado -o abracei e saí. 
Entrei no carro de Luan, e foi como se de repente minha vida estivesse em suas mãos. É, de certa forma estava. E o mais estranho era que eu confiava nele.
Estávamos a algum tempo na estrada. Era estranho que meu pai não tivesse ido atrás de mim. Na verdade me dava medo.
Pela recorrência das coisas,por um Santana e um Smith viajarem juntos, seria perfeitamente normal se a guarda nacional viesse pra me "resgatar".